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  • Dora Ghelman

Meus amigos, voltei




Não, não estou solteira como diz na famosa música do Wesley Safadão.

Voltei para cá.

Voltei a escrever.

Voltei a dar as caras para esse universo.

Toda a pausa às vezes é necessária.

Para podermos nos reorganizar.

Reeditar os pensamentos.

Antes de colocá-los no papel novamente.

E eu precisei desse momento.

Para entender o que eu queria com esse espaço aqui.

Quais eram os meus objetivos.

Quais são os meus objetivos.

Sem cobranças.

Sem pressa.

E agora estou aqui.

E quero compartilhar um momento que vivenciei nesse tempo longe daqui.

Estava passeando com a Mia um dia desses.

Eu sempre gosto de observar pessoas na rua e imaginar o que elas estão fazendo.

Quem são.

O que gostam, desgostam.

Eu crio toda uma narrativa para elas na minha cabeça.

Vi uma menina do outro lado da rua.

Ela estava com o namorado ­– pelo menos imaginei que fosse namorado.

Eles estavam saindo de mãos dadas do prédio.

Ele com malas nas mãos.

Ela com roupas de ficar em casa, moletom e chinelo.

Estava de óculos e olhos inchados.

Observei enquanto ele chamava um táxi, colocava as malas no bagageiro, e virava para ela.

Se abraçaram.

Um abraço bem apertado.

Quando se afastaram, ele deu a ela um objeto.

Não consegui identificar o que era.

Ele entrou no táxi e saiu.

Ela imediatamente começou a chorar.

Tive um pequeno impulso de ir até ela oferecer meu ombro amigo.

Ou ombro desconhecido.

Mas me contive.

Não sei como pessoas aleatórias recebem uma oferta de abraço de estranhas no meio da rua.

Ela enxugou as lágrimas e levantou o objeto que ele havia dado a ela antes de partir.

Era um passarinho esculpido de madeira.

Bem bonito.

Pequeno e delicado.

Ela pegou seu celular no bolso e tirou uma selfie chorosa com o passarinho.

E voltou para dentro do prédio.

Fiquei imaginando...

Eles são namorados de escola.

Ele foi fazer faculdade em outro estado, ela ficou aqui no Rio.

Namoram à distância já vai fazer alguns anos.

Falta pouco para a faculdade dele terminar.

Estão na dúvida sobre o que o futuro guarda para eles.

Será que ele vai ficar por lá?

Será que ele volta?

Será que ela vai ao seu encontro?

Muitas perguntas sem respostas.

Toda visita é dolorosa.

É muito bom quando estão juntos.

Eles não sentem o tempo passar.

Mas quando deitam à noite, secretamente, cada um deles chora em silêncio.

Com medo do que vêm pela frente.

Medo das batalhas e das futuras escolhas que precisarão tomar.

Quando eles percebem, já está na hora da despedida novamente.

Dessa vez, foi diferente.

Ele deixou um pedaço dele com ela.

Um passarinho que ele viu em uma loja no estado em que ele mora.

Passou pela vitrine e pensou nela.

Comprou para lhe dar de presente.

Disse a ela que o passarinho iria cantar para ela todas as noites.

Ele iria cantar a música deles.

Para ela conseguir adormecer tranquila.

E sonhar com eles juntos, no futuro.

O passarinho era uma promessa de dias melhores.

E ela acreditou.

Dias melhores viriam para ela.

Para ele.

Para os dois.

E assim segui o passeio.

Andei calmamente até em casa.

Pensando se eles conseguiriam finalmente ficar juntos.

Espero que sim.

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