• Dora Ghelman

Você não sabe o que aconteceu...

Amiga, você não sabe.

Eu tava pleníssima sentada no banco do lado de fora do bar esperando chegar meu carro, quando, de repente, veio aquela vontade louca de ir no banheiro.

E você me conhece, né?

Sabe que eu, quando tenho vontade de ir no banheiro. não tem o que fazer: eu preciso ir no banheiro.

Só me restou fazer o mais lógico.

Cancelei a corrida e me levantei para voltar para dentro do bar para usar o banheiro de lá.

Era com certeza mais perto do que o banheiro da minha casa, e apesar de não ser o meu banheirinho, era a escolha mais certeira.

Amiga, você não está entendendo.

A moça da porta simplesmente não quis me deixar entrar de volta.

Ela disse que eu já havia encerrado a minha comanda, já havia pagado a conta e já havia saído de lá. O lugar estava cheio e não tinha como me deixar entrar.

Eu tentei explicar para ela que era uma questão emergencial, mas não teve jeito.

Ela não estava querendo ser compreensiva.

Nessa hora eu já estava completamente contorcida, enlouquecida, roxa.

Mas não ia ter jeito, eu ia ter que tentar chegar em casa o mais rápido possível.

Não tinha nenhum outro estabelecimento aberto perto do bar onde eu estava, não tinha o que fazer.

Ou eu entrava de volta – o que ficou claro que não seria uma opção – ou eu voltava para casa.

Enfim, pedi de novo um carro para me levar para casa.

4 minutos de distância.

A espera mais longa da minha vida, acho.

O carro chegou, entrei e de cara já fui super sincera com o motorista. Eu já estava na merda, eu não tinha nada a perder.

Mandei a real e disse que estava passando por um aperto daqueles e pedi (implorei) para ele ir o mais rápido possível que eu daria uma bela gorjeta de agradecimento no final.

Amiga, ele correu. Ele voou. Ele foi um parceiraaaaaaaaço real.

Mas eu já estava naquela situação que eu não conseguia nem mais ficar sentada, sabe?

Eu estava meio de lado no banco, meio levantada. Completamente desesperada.

Cheguei em casa, subi correndo as escadas até chegar na porta.

Olha, eu não entendo exatamente como o corpo humano funciona às vezes.

Mas eu juro que o cú sente quando a gente está chegando perto da privada.

Porque foi só eu passar a chave na porta que, menina… Foi quase, mas quase mesmo, que ele saiu nas calças.

Mas consegui chegar esbaforida na privada e sabe quando você sente até a sua alma sair do seu corpo?

Juro. Acho que a pressão chegou até a cair.

Fiquei um bom tempo ali, assimilando o que havia acabado de acontecer.

Amiga do céu, que saga.

Que fim de noite.

Sério, essas coisas só acontecem comigo?

Era só o que me faltava, né?

Date ruim e, ainda por cima, voltar para casa quase me cagando…

Mas olha… Amanhã te conto do date, porque agora só consigo ficar deitada aqui em posição fetal.

Beijos, te amo.




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