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  • Dora Ghelman

Nostalgia Romântica




Viajar me deixa com uma certa nostalgia romântica.

Aquele lance de você olhar pela janela, pensativa, com uma música meio Marisa Monte com toques de Nando Reis nos fones de ouvido.

Você encosta a testa na janela fria e fica ali.

Numa nostalgia romântica profunda.

Pensando nos “e se’s” da vida.

É perigosíssimo isso aí.

Essa “viagem na maionese” toda.

Às vezes, fica difícil voltar para a realidade.

Há muito tempo não viajava de avião.

Acho que o fato de você sair do seu estado de origem intensifica essa parada toda.

Porque você fica longe demais, sabem?

Não é igual ao carro que você fica ali viajando encostada com a testa na janela do carro, mas segue vendo a vida passar.

A vaca, o pasto, o moço vendendo tangerina, a tenda do coco, os artesanatos, aquelas piscinas de fibra pré-fabricadas expostas quase que no meio da estrada.

Avião, você fica no meio das nuvens, olhando pra imensidão do céu.

Fica tentando ver se encontra formas conhecidas nas nuvens, se os raios de sol tão batendo de alguma forma especial nelas.

A paranoia te faz procurar por tempestades distantes.

O avião te ajuda a viajar na maionese da nostalgia romântica ao som de Marisa Monte com toques de Nando Reis.

Confesso que eu tenho uma mania de pedir sinais pro universo quando estou no avião.

Do tipo: “se tal coisa vai acontecer, que um prédio com luz verde apareça debaixo do avião nos próximos dez segundos”.

Coisas desse tipo.

Esse tipo de viagem na maionese só acontece por conta da Marisa.

E do Nando Reis.

Aí você chega no lugar distante, conhece novos ares, novas formas, novas pessoas, novos encontros, novos cheiros, novas comidas.

Conhece novos cafés da manhã.

Porque convenhamos: naaaaaaaaada melhor do que café da manhã de hotel.

E está na hora de voltar.

A nostalgia romântica se transforma em choque de realidade da volta.

A Marisa Monte com toques de Nando Reis vira um certo BaianaSystem com um quê de ÀTOOXXÁ.

Pra ver se dá um “tchum” na tristeza de voltar.

E acaba tudo quando o barulho do trem de pouso dá o ar de sua graça.

E já é quase segunda de novo.


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